Havia uma avenida
Banhada pela correria
Do sol, não das gentes
Nem de um sopro de alegria
Havia uma esplanada
De conversas indiscretas
Bebericavam ali segredos
Boatos, cusquices incertas
Havia um jardim sossegado
De sombras frescas em paz
Amores cínicos se confundiam
Nas árvores e arbustos, por trás
Promessas vãs de esperança
No tempo que não iria embora
No futuro mudaria a dança
Para uma de saudade que chora
Histórias de um sítio vazio
Vazio parecido com nada
Perdido para quem é demais
Achado pela manada
Deu-me o tempo o que preciso
Para perseguir a névoa dourada
Vaga, que se aproxima num riso
Minha paixão e tormenta amada
domingo, 20 de junho de 2010
XX-YY
Sempre soube, sempre vi
Que tomada foi a loucura
Tudo o que por ti senti
Turbilhão que em mim perdura
Desde aquele bar intimista
Olhares cruzados letais
Sentimento alarmista
De géneros semelhantes, iguais
Atracção abominável
Diz o povo preconceituoso
De ignorância admirável
De palavreado cavernoso
As mãos entrelaçadas,
Os lábios unidos,
As maldições que foram rogadas…
O toque da tua pele,
Pele como qualquer ser
O perfume, odor a mel
Já não posso sem ele viver!
Sucumbam, deixem-me ser,
Massas intolerantes e dementes
Que não me sei entregar
A elas, tão atraentes
Ninfas perturbadoras e belas
Hope
Não sei há quantos dias
Não sei há quantos luares
Trouxeram aquelas maresias
Meu corpo para estes vagares
Turvas as águas, outrora
Sujas de sangue e lama
Anos antes da aurora
Me deixaram tempos de infâmia
Feitiços de bruxas lendárias
Lacunas de um ser imperfeito
Submerso em dores imaginárias
Perdido no seu próprio leito
Tardou a onda de espuma
Que me traria ansioso alento
Adormecida ficou, na bruma
À espreita daquele momento
Chegou, por fim, sem aviso
Quem vem libertar este nó
Que faz de mim tão narciso
Que me sufoca e me deixa só
Só esse possui a chave
Que o abre, baú velho e baço
Só esse comanda a nave
Na qual iremos para o espaço
Enfim no meio das estrelas
Mais que metade me tenho
Névoas escuras, porquê vê-las?
Ficaram onde me estranho
Esfumam-se, vagas, distantes
Como páginas de diário antigo
Perdem-se no passado, latejantes
Fragmentos de tão vil inimigo
Não sei há quantos luares
Trouxeram aquelas maresias
Meu corpo para estes vagares
Turvas as águas, outrora
Sujas de sangue e lama
Anos antes da aurora
Me deixaram tempos de infâmia
Feitiços de bruxas lendárias
Lacunas de um ser imperfeito
Submerso em dores imaginárias
Perdido no seu próprio leito
Tardou a onda de espuma
Que me traria ansioso alento
Adormecida ficou, na bruma
À espreita daquele momento
Chegou, por fim, sem aviso
Quem vem libertar este nó
Que faz de mim tão narciso
Que me sufoca e me deixa só
Só esse possui a chave
Que o abre, baú velho e baço
Só esse comanda a nave
Na qual iremos para o espaço
Enfim no meio das estrelas
Mais que metade me tenho
Névoas escuras, porquê vê-las?
Ficaram onde me estranho
Esfumam-se, vagas, distantes
Como páginas de diário antigo
Perdem-se no passado, latejantes
Fragmentos de tão vil inimigo
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